Deitada nesta areia fria,
escuto a imponência da água ao embater no areal, as pessoas que passam e vão
falando e a voz que a minha cabeça insiste em não calar.
Por alguma razão vim para aqui.
Agora que o meu remédio se
tornou doença, resta-me este analgésico, esta brisa que acalma até a fera mais
enfurecida.
Sim. Tu, autrora meu abrigo,
meu amor correspondido, mudas-te sem razão para te tornares dor do meu coração.
E esta dor, não penses, não é fácil de curar.
É assim o amor. Um dia a
sorrir, outro dia a chorar. Mas ainda assim, não se deixa de amar. Faz parte da
rotina do ser humano, desta criatura ignorante, ambicionar a felicidade que
nenhuma outra coisa nos pode dar, na sorte de esta um dia se vir a eternizar.
Fica assim aqui um
beijo, um carinho e um coração…
… Sozinho.


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