sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Tocou a sirene (capítulo I)

Levanto-me ainda meio a sono, um tanto dormente de tão adormecido. Jogo rapidamente um pouco de água para a cara para ver se acordo e visto a roupa. Dou um beijo na minha mulher e como sempre temos a nossa habitual conversa:

- Amor, está a faltar alguma coisa cá em casa?
- Trás pão para o pequeno almoço, senão chegares a tempo lavas…
-…Eu sei, eu sei ‘lavo a loiça’.
- Amo-te.
- Até já [com um sorriso de «espero ver-te outra vez»].

Vou ao quarto dos miúdos, aconchego-lhes o lençol e com um beijinho na testa de boa noite, deixo o anjo da guarda com eles.
Agora que “já estou preparado” é esperar para ver o quão grande é o pesadelo desta vez.
Mal chego ao ponto de encontro, ao ver caras conhecidas com expressões que não lhes conhecia, deduzo que desta vez o monstro é grande. 
A ansiedade cresce. Não há grande tempo para conversas, até posso mesmo dizer que o silêncio só é interrompido pelo toque da sirene.
Já em grupos seguimos para os carros. Só tenho em mente uma coisa: 'quero voltar para casa quando tudo acabar'. Mas nestas alturas uma pessoa mente se diz que só pensa numa coisa.

COMO ASSIM SÓ PENSAS NUMA COISA?


Tens um monstro pela frente, que não para só por deixares de ter medo, e que aumenta a cada segundo que passa. Tens que olhar por ti, pelos teus, e pelos que não conheces. Tens de cuidar de pessoas. Tens que proteger animais, casas, hortinhas e florestas. Tens que te manter durante as próximas horas. E ainda tens que ir comprar pão para o pequeno almoço, porque se chegares tarde... já sabes.
... É, na realidade, uma farda pesa. Mas uma responsabilidade pesa muito mais. 
Está na hora de parar de pensar e começar a travar o inferno...

A porta bate. [PAI !!!!]

Após umas 48 horas sem tréguas cheguei a casa... 


... e sim, levava o pão para o pequeno almoço.

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